“O clarão do Sol
Mostra bem quem é você.
E o que você sente
Muda como fase da Lua.
Mas quero saber:
O que está havendo em Vênus?
E Marte bate o martelo,
Sentenciando nossa sinastria.”
Sei que sinastria é um estudo astrológico que analisa a compatibilidade entre duas pessoas. Indica os pontos de harmonia, as dificuldades, as tendências de um relacionamento. Os principais aspectos analisados são com relação ao Sol, à Lua, a Marte, a Vênus e ao Ascendente. Porém, não sou astróloga. Não posso ir além disso na explicação.
Não quero discutir astrologia aqui. O que acho interessante é a ilusão de controle numa situação amorosa por meio de um mapa.
Um mapa qualquer pode ser instrumento útil para traçar rotas, organizar caminhos...
Agora, existe um modo de premeditar a rota quando o assunto é o amor? Eu posso agir diante do outro com um plano elaborado. Só que “Bom encontro é de dois”, canta Vanessa da Mata. O amor é caminho caminhado por dois agentes, por duas gentes. Se for um caso poliamoroso, tem muito mais pessoas envolvidas!
Bauman no seu Amor Líquido aponta a ilusão de viver um relacionamento como uma transação comercial, investindo e esperando um retorno garantido. É a ilusão de controle. Mas, ele indica que quando o amor é aplicado como um investimento seguro, perde suas potencialidades e a ansiedade que havia antes de se ter um “amor seguro” retorna com outros nomes.
Quer dizer, será que é garantido o sucesso romântico, mesmo tendo um “raio X” do outro ou existindo um mapa de como seguir com aquela relação do melhor modo possível?
Eu acredito que um amor só pode ser vivido de maneira expansiva, sem medida, se a gente confia no acaso, sustenta o que não se sabe e o que nunca saberá. Pra viver uma experiência romântica, é bom ter a disposição com o imprevisto. Se a gente vai se sair bem com os possíveis desencontros, inseguranças, são outros quinhentos. Longe de mim achar que é simples “se jogar numa relação sem preocupações ou medos”.
“Mas o céu não é limite
Se a gente acredita
Que o acaso é o mapa
Pra amar sem medida.”
É interessante ver a forma como “conhecemos” alguém hoje em dia. Tinder, Instagram e até Twitter. O acaso é substituído por filtros, algoritmos. Há quem levante o mapa astral da pessoa, há também quem trace um perfil do outro através do que vê nas redes sociais. Fazer sinastria é o de menos. A questão é como o amor está sendo procurado e, quando encontrado, como é investido.
Não vou ser mentirosa e dizer que não desejo segurança num relacionamento, porém, reconheço que nenhum posicionamento dos astros vai me livrar de viver um amor com riscos. Posso mirar estrelas e planetas, mas sei também que talvez eu possa cruzar com meteoros e até colidir com cometas.
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co·me·ta
sm
1 Astr Astro de fraca luminosidade, formado por um conjunto de partículas sólidas cobertas por uma camada gasosa, que gira em torno do Sol em inclinação mais acentuada, e pode apresentar uma cauda, de tamanho calculado em milhões de quilômetros, ao se aproximar do astro solar, descrevendo órbitas alongadas; estrela de rabo.
2 fig Qualquer coisa ou pessoa que aparece e desaparece rapidamente.
Obs. 1: Os trechos destacados como citação no texto fazem parte de uma música minha chamada "Sinastria".
Obs. 2: Super indico escutar "Um pequeno imprevisto" dOs Paralamas do Sucesso.